
Já é meia noite, meia noite de um dia em que todos fazem questão de não passar em casa, embriagados ao som de músicas estrondantes e irresistíveis, ninguém iria passar esse dia quieto, exceto eu.
Inquietada revirava na cama ansiosa, a última coisa que iria fazer era dormir.
Saio de casa desesperada, acredito que quem me vê na rua andando com passos rápidos e precisos deve imaginar que sei exatamente aonde me refugiar.
Caminho ora pensando em nada ora tentando lidar com o misto de problemas e novidades que envolve a minha mente.
Parei.
Ali estava ela irreverente, elegante, hipinotizante... uma lua cheia, gorda e brilhante que insistia em se destacar perante tantas pequenas estrelas.
Não pude evitar, saí correndo, desesperada à procura de qualquer lugar que me permitisse ficar alí, a olhando e desejando.
Não me lembro aonde fui parar, não fiz questão de prestar atenção ao meu redor mas ali eu pude sentar e deslumbrada olhar aquele céu dominado por uma raínha absoluta e pequenas brilhantes com o sonho de ser algum dia uma parte do ela era, maginífica.
Não queria passar a noite fora de mim, mas já estava embriagada. O tempo parou e eu desejei que aquela noite não acabasse.
Um vento suave e gelado acariciou a minha face que por alguns instantes se manteve arrepiada. Esse mesmo vento insistiu em trazer pequenas e transparentes nuvens para cortar o meu alcance aquela droga. As pequeninas apenas deram conta de cubrir uma parte da minha raínha e logo foram embora, apressadas e tristes se desfazendo na escuridão noturna.
Podia ver naquela Lua a minha vida inteira desenhada naquela esfera. As minhas tristezas e aflições eram absorvidas transfomadas em manchas escuras.
Só percebi quanto tempo havia passado quando o motivo do brilho da minha raínha resolveu tomar o seu lugar, era frustante! Uma raínha como aquela não poderia jamais perder a sua majestade.
O telefone tocou, era alguém desejando a minha volta. O efeito passou, fui pra casa e adormeci. Não sonhei com a Lua.