
A saudade insiste em permanecer. Aquele sentimento adormecido nas ultimas semanas reapareceu com toda a força. É algo que ganha intensidade a cada dia como uma faísca de fogo que ao encontrar material para consumir, ganha força, aumenta e devasta o que vê na sua frente. Sinto que esqueceram uma lâmina dentro do meu corpo e a cada movimento, a cada dia ou instante o corte feito por ela aumenta, a dor é inevitável e o fim é certo.
Momentos como os nossos ao serem recordados seriam motivos de um grande sorriso recheado de um brilho de um olhar ofuscante. O meu olhar fosco frequêntemente envolvido pela única lubrificação que o envolve e que em seguida o abandona caindo em um lugar incerto como o canto da minha blusa ou o piso do meu quarto só mostra ao mundo a minha falta de satisfação por saber que tais momentos nunca retornarão.
Tenho medo que a sua ausência não só permaneça de forma crônica, mas piore com o passar dos anos de forma que se torne mais do que insuportável ou irresistível. Tenho medo também de que ao me ver atormentada com as suas lembranças me veja obrigada a criar novas memórias -seria isso loucura?-.
Talvez você me tenha deixado doente, dependente eu esteja sentindo os efeitos da abstnência. Presa, agora eu cumpro a pena por ter provado e disfrutado da mais viciante e perigosa droga ilícita: você.
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